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AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE CRÔNICA E REPRODUTIVA DA OLEUROPEÍNA (SEGMENTO I) EM RATOS WISTAR

RAQUEL LUISA BREUNIG.
Tese em Português | VETTESES | ID: vtt-220310

Resumo

A Olea europaea L. (oliveira) é uma árvore frutífera, originária do mediterrâneo e disseminada por diversos países, incluindo o Brasil, onde seu cultivo encontra-se em ascensão. É considerada um dos cultivares mais antigos do planeta, sendo reconhecida por sua ampla gama de atividades biológicas, as quais são atribuídas aos seus compostos fenólicos. A oleuropeína é o composto fenólico majoritário da Olea europaea L., presente em grandes concentrações na planta. Com o objetivo de determinar a segurança no uso dessa substância, o presente estudo avaliou o potencial de toxicidade crônica e reprodutiva da oleuropeína, sobre a fertilidade e o desenvolvimento ponderal de ratos Wistar machos e fêmeas, sendo o segmento I de um estudo mais amplo, composto por 3 segmentos. Constituíram-se quatro grupos experimentais compostos por 30 fêmeas e 10 machos cada: CN (controle negativo água destilada), G1(oleuropeína 500 mg/kg/dia), G2 (oleuropeína 1000 mg/kg/dia) e G3 (oleuropeína 2000 mg/kg/dia). Os machos foram tratados antes (70 dias) e durante o acasalamento (21 dias), e as fêmeas antes (14 dias) e durante o acasalamento (máximo de 21 dias), gestação (21 dias) e lactação (21 dias). Para identificar alterações toxicológicas nos animais, foram avaliados: consumo relativo de água e ração, evolução do peso corporal, peso relativo dos órgãos e histopatologia, taxas reprodutivas e sinais de toxicidade. Nos machos foi avaliado ainda, dosagem de testosterona, número e morfologia espermática. Os resultados não demonstraram prejuízos nos parâmetros reprodutivos avaliados em nenhum grupo tratado, contrariamente nos machos, foram observados aumentos significativos na produção diária de espermatozoides em G2 (275,59 ± 27,20) e G3 (261,94 ± 47,84). O G2 também apresentou as maiores dosagens de testosterona (6,47±1,42) e menor número de espermatozoides anormais (5,61 ± 0,69). Nas fêmeas, o G2 apresentou elevação nas taxas de gestação (95,85%) e natalidade (100%). Os machos dos três grupos tratados com oleuropeína apresentaram aumento do peso relativo do fígado (G1 = 3,92 ± 0,11; G2 = 3,89 ± 0,09; G3 = 4,29 ± 0,16), quando comparados ao grupo controle (3,31 ± 0,10), todavia não foram observadas alterações histopatológicas hepáticas ou em qualquer outro órgão avaliado. Foram observadas oscilações nos consumos de água e alimento dos três grupos experimentais durante esse estudo, mais evidenciado nos animais do G3 no início do período pré-acasalamento, onde machos e fêmeas tiveram menores consumos de alimento e menores ganhos de peso, diminuições que não se mantiveram ao longo do tempo bem como não ocorreram outras alterações sistêmicas, sugerindo uma adaptação por parte dos animais. Ninhadas mais leves ao nascer foram observadas em G2 (6,90 ± 0,05) e G3 (6,52 ± 0,07), além disso, as fêmeas de G3 tiveram menor ganho de peso durante os últimos dias do período gestacional, sinais que podem sugerir toxicidade materna. Esses resultados fazem da oleuropeína uma substância promissora devido a sua ação benéfica sobre parâmetros de fertilidade masculina, todavia sugere-se cautela no seu uso durante o período gestacional, especialmente em altas doses.
Olea europaea L. (olive tree) is a fruit tree of Mediterranean origin and disseminated in several countries, including Brazil, where its cultivation is growing. It is considered one of the oldest cultivars on the planet, being recognized for its wide range of biological activities, which are attributed to its phenolic compounds. Oleuropein is the major phenolic compound of Olea europaea L., present in high concentrations in the plant. In order to determine its safety use, the present study evaluated the chronic and reproductive potential toxicity of oleuropein, over fertility and body development of male and female Wistar rats. It was segment I of a larger study, which comprised 3 segments. Four experimental groups were formed: CN (negative control - distilled water), G1 (oleuropein 500 mg / kg / day), G2 (oleuropein 1000 mg / kg / day) and G3 (oleuropein 2000 mg / kg /day). Males were treated before (70 days) and during mating (21 days), and females before (14 days) and during mating (21 days maximum), gestation (21 days) and lactation (21 days). To identify male and female reproductive system changes, we evaluated relative water and feed consumption, body weight evolution, relative organs weight and histopathology, reproductive rates and toxicity sings. In males, we also evaluated testosterone dosage, sperm number and morphology. Results showed no impairment on evaluated reproductive parameters in any treated group, contrary in males were observed a significant increase in daily sperm production in G2 (275,59 ± 27,20) and G3 (261,94 ± 47,84). G2 also presented higher testosterone levels (6,47 ± 1,42) and lower number of abnormal sperm (5,61 ± 0,69). In females, G2 showed an increase in pregnancy (95,85%) and birth (100%) rates. Males of the three oleuropein treated groups showed relative liver weight increase (G1 = 3,92 ± 0,11; G2 = 3,89 ± 0,09; G3 = 4,29 ± 0,16), when compared to the control group (3,31 ± 0,10), however, no histopathological changes in liver or any other evaluated organs were observed. Fluctuations in water and food consumption of the three experimental groups were observed during this study, which was more evident at the beginning of pre-mating period in G3 animals, were males and females had lower food consumptions and lower weight gains, decreases that were not maintained over time and there were no other systemic changes, suggesting an adaptation of these animals. Litters birth weights were lower in G2 (6,90 ± 0,05) and G3 (6,52 ± 0,07), moreover, G3 females also had less weight gain during the latest gestational days, signs that may suggest maternal toxicity. These results make oleuropein a promising substance due its beneficial action on male fertility parameters, however caution is suggested in its use during pregnancy, especially in high doses.
Biblioteca responsável: BR68.1