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Carolina Maria de Jesus e a autorrepresentação literária da exclusão social na América Latina: olharesreversos aos de Eduardo Galeano e Octavio Paz / Carolina Maria de Jesus and the self-representation of social excluded groups in Latin America: a counter point of view on Eduardo Galeano and Octavio Paz poetic works

Tirloni, Larissa Paula; Marinho, Marcelo.
Estud. Lit. Bras. Contemp.; (44): 249-270, jul./dez. 2014.
Artigo em Português | BVS Pensamento Social, FIOCRUZ | ID: bps-2354
A literatura comparada dedica-se ao estudo das questões identitárias e das representações literárias interétnicas ou intersociais pelo viés privilegiado das relações interculturais. Em razão de seu amplo espectro de possibilidades de interpretação literária e cultural, a literatura comparada torna-se uma producente ferramenta para a análise dos diálogos transculturais em que se manifestam a aceitação ou a recusa das diferenças. Nessa perspectiva, o presente trabalho resulta de um estudo comparativo acerca da imagem literária da exclusão social, tendo como foco precípuo o relato autobiográfico da brasileira Carolina Maria de Jesus, em sua intersecção socialmente assimétrica com a escrita do mexicano Octavio Paz e do uruguaio Eduardo Galeano. No que se refere à subjetividade autoral, a brasileira lança mão de um poder expressivo que alcança significados para além da mera representação, pois seu testemunho parte de um lugar de enunciação que é aquele do próprio excluído o conhecimento empírico da existência de uma catadora de papel, mulher, negra, migrante, mãe, descendente de escravos no Brasil, migrante sem perspectivas de vida, chefe solitária de família, moradora em favela, ser humano privado de cidadania. Nas páginas desse diário de desventuras, o testemunho existencial de Carolina traz à luz representações literárias e imagens simbólicas sobre uma importante parcela da sociedade que se encontra à margem, invisível aos demais segmentos da população. Essa parcela invisível da sociedade corresponde àqueles que Octavio Paz batiza como "ninguneados", àqueles que Eduardo Galeano homenageia com seu poema "Los nadies" seres humanos cuja existência é voluntariamente apagada ou ignorada nas manifestações culturais e nas relações sociais que conformam as hierarquias cotidianas e os modos de experiência de vida.
Biblioteca responsável: BR1273.1