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Resistência e revolta nos anos 1960: Abdias do Nascimento

Guimarães, Antonio Sérgio Alfredo.
Revista USP; (68): 156-167, dez./fev. 2005-2006. ilus
Artigo em Português | BVS Pensamento Social, FIOCRUZ | ID: bps-2659
Procurei demonstrar, ao longo destas páginas, que existe mais continuidade que ruptura no pensamento de Abdias do Nascimento entre 1968 e 1980. Tal continuidade foi garantida pela sua incorporação dos conceitos de resistência e revolta, desenvolvidos no mundo intelectual francês, e dos quais ele toma plena consciência apenas depois da leitura de O Homem Revoltado, de Albert Camus, em algum momento entre março de 1966 e agosto de 1967. É bem verdade que tais conceitos já estão presentes em estado latente em muitos escritos de sua fase anterior, em meados dos anos 1950 ou meados de 1960, quando estreita suas afinidades com a négritude. É bem verdade, também, que sua visão das religiões afro-brasileiras já estava marcada há muito pela mesma concepção de resistência, tal como Bastide (1945; 1961) a empregava.É forçoso reconhecer que, se é verdade que muitos ignoram essa última fase de Abdias antes do exílio, e daí rapidamente comparam o Abdias dos anos 1950 ao Ab-dias dos 1980, atribuindo a sua mudança à incorporação de valores negro-americanos, é também verdade que o quilombismo marca uma nova ruptura, a qual pode ser sintetizada pela centralidade que passa a ter o afrocentrismo em seu pensamento. Essa segunda ruptura, entretanto, não foi objeto do presente artigo.Meu argumento principal, todavia, é de que se houve ruptura no pensamento de Abdias, e houve várias, a maior delas, a que marca realmente um ponto de inflexão com sua ideologia política dos anos 1950, deu-se quando Abdias passou a narrar a história do negro brasileiro como uma história de resistência cultural e de revoltas políticas. (AU)
Biblioteca responsável: BR1273.1
Localização: BR1273.1