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A teia da magreza e da juventude: os discursos sobre alimentação na revista Veja / The web of slimness and youth: nutritional discourses in Veja magazine

Rio de Janeiro; s.n; 2018. 215 f p. il.
Tese em Português | LILACS | ID: biblio-904959
Apresentada a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Medicina Social para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Russo, Jane Araújo.
O presente trabalho teve por objetivo analisar os sentidos dos conceitos nutricionais disseminados na mídia impressa, através da revista Veja, na primeira década do século XXI. Foi um estudo qualitativo de 55 matérias referentes às 23 capas selecionadas, cujos temas se relacionavam à alimentação. Ainda que, nesse veículo, os conceitos nutricionais sejam divulgados para leitores pertencentes a camadas médias e altas, ambas letradas, existe uma permeabilidade desses saberes para as classes populares. Embora não seja um campo de produção autônomo de saber nutricional, como o campo médico científico, a mídia impressa tem grande relevância para a compreensão da nutrição na contemporaneidade, com suas ambiguidades e contradições, na medida em que, segundo Mudry (2009), a linguagem acerca da alimentação reconfigura a relação das pessoas com a comida. No material levantado, os temas que emergiram com maior frequência, foram aqueles relacionados ao emagrecimento e à longevidade. O padrão hegemônico do corpo magro, jovem, em forma e saudável, com frequência associado a celebridades, congrega um ideal de beleza, sobretudo feminina, onde magreza e juventude são fundamentais. O saudismo e a medicalização emergiram entrelaçados nos discursos nutricionais da revista, assim como o Nutricionismo, ideologia identificada por Gyorgy Scrinis (2008, 2013). O Nutricionismo se caracteriza por uma abordagem reducionista em relação ao corpo e à alimentação, com discursos métricos e quantificados, que buscam a precisão de desenlaces entre nutrientes e saúde, transformando a nutrição em uma ciência matemática e puramente biológica, na qual comer significa ingerir calorias e nutrientes. Associada ao saudismo e ao nutricionismo, a noção de responsabilidade individual surge nos discursos analisados combinada a um sentimento de culpa que se transforma em carga moral. Esta prescrição moral facilita a proliferação de dietas da moda e uso de substâncias, suplementos e alimentos-remédios como atalhos para alcançar o corpo ideal, a saúde perfeita e a vida longa. Argumentamos que a complexidade da Ciência da Nutrição é maior do que recomendações métricas e quantificadas e os sentidos do comer são bem mais amplos e profundos do que nutrientes ou calorias que ingerimos. Os discursos sobre a comida e o comer, quando impregnados da ideologia do Nutricionismo, distorcem este processo íntimo e social que, acima de tudo, deveria ser mediado por experiências e, não, por números ou nutrientes
Biblioteca responsável: BR433.1
Localização: BR433.1, T1667, R594; 612.39-053.6